Os 5 restaurantes que não pode perder na Alfama
A nossa seleção das melhores mesas do bairro histórico de Lisboa, entre fado, azulejos e cozinha autenticamente portuguesa.
A Alfama é a alma de Lisboa. Este bairro erguido na colina que domina o Tejo é o mais antigo da capital — sobreviveu ao grande terramoto de 1755 e conserva intacto o seu caráter de aldeia dentro da cidade, com as suas ruelas íngremes, as casas cobertas de telhas, os estendais de roupa entre janelas e, ao anoitecer, as notas melancólicas do fado que escapam das tascas. É também um dos bairros mais difíceis para comer bem se não se souber onde ir, afogado como está nas armadilhas turísticas. O nosso guia está aqui para o orientar.
1. Casa do Fado e da Guitarra Portuguesa
Difícil começar de outra forma senão pelo endereço mais emblemático do bairro. A Casa do Fado propõe todas as noites um jantar com espetáculo de fado ao vivo — mas ao contrário de muitos estabelecimentos do género, a cozinha está genuinamente à altura. A cataplana de marisco, preparada segundo uma receita de família transmitida ao longo de três gerações, vale por si só a viagem. O espetáculo, assegurado por artistas consagrados e não por principiantes à procura de cachet, dura até à meia-noite. Uma noite completa e memorável.
2. Taberna da Rua das Flores
Estritamente falando, a Taberna da Rua das Flores está no Chiado e não na Alfama — mas está tão frequentemente associada ao bairro histórico, e é tão emblemática do que a cozinha portuguesa pode dar de melhor, que seria uma pena omiti-la. André Magalhães propõe uma cozinha de terroir centrada nos produtos portugueses: morcela grelhada nas brasas, pica-pau de vitela com picles e mostarda, pato confitado à portuguesa. A carta de vinhos, exclusivamente portuguesa, é uma bíblia do vinhedo nacional.
3. Prado Entrada — O moderno discreto
Para quem procura uma cozinha mais contemporânea sem abandonar o espírito do bairro, o Prado Entrada é a resposta. Instalado numa antiga mercearia da Alfama reconvertida com inteligência, este restaurante propõe uma cozinha de época que valoriza os legumes esquecidos, os caldos longamente cozinhados e as fermentações caseiras. O prato de legumes do dia — cujo conteúdo muda todas as manhãs conforme a chegada do mercado — tornou-se um culto. Serviço caloroso e descontraído.
4. O Corvo — A tasca sem rodeios
O O Corvo é exatamente o que se imagina ao sonhar com a tasca perfeita: uma pequena sala de vinte lugares, mesas de madeira, cadeiras desiguais, um balcão a transbordar de vinhos naturais e uma cozinha que não joga qualquer jogo. Bacalhau confitado em azeite, legumes do mercado salteados com alho, polvo grelhado no carvão e queijos de produtores locais. A conta é honesta e a conversa com o dono vale por si só a visita. Volta-se sistematicamente.
5. Chapitô à Mesa — Vista panorâmica, cozinha de chef
Para terminar em beleza, o Chapitô à Mesa oferece talvez a mais bela vista de toda a Alfama — desde o terraço, o panorama sobre o Tejo e os telhados de telha laranja estende-se até à outra margem. A cozinha, dirigida por um chef formado em França, joga com bases portuguesas revisitadas com técnica: tataki de polvo, risotto de caldo verde, crème brûlée com canela e flor de sal de Setúbal. Uma relação qualidade-vista-preço difícil de bater.
A Alfama tem de se merecer: as suas encostas íngremes desencorajam os visitantes apressados, e ainda bem. Aproveite para explorar as suas ruelas, ouvir o fado que escapa de uma janela entreaberta, e sentar-se a uma destas mesas que fazem deste bairro um dos lugares mais belos do mundo para comer.